O sinal das 12h30 tocou, arrastando todo o 8º ano para a liberdade do portão. No meio do empurra-empurra, meu pé pisou em algo: um bilhete dobrado em triângulo, amarelado pelo chão da escola. Peguei o papel e li o topo da folha: "10:30". Meu estômago deu um nó. O bilhete tinha sido escrito duas horas antes, durante o intervalo, e dizia: "O Lucas vai pegar o novato no muro lateral logo na saída. Avisa ele pra não ir sozinho". Olhei o relógio: 12h35. Eu era o único que sabia da emboscada e estava tragicamente atrasado. Corri como se minha vida dependesse disso. Quando virei a esquina do muro, o cenário era tenso: o Lucas já estava com o dedo no rosto do garoto, que tremia segurando as alças da mochila. "Para com essa palhaçada!", gritei, jogando o bilhete aberto entre os dois. O Lucas travou. Ao ver que o plano dele estava escrito e datado, a coragem de valentão sumiu. Ele bufou, pegou o papel e saiu andando, resmungando que "não valia a pena". O novato me olhou com um alívio gigante. "Valeu, cara. Eu nem vi de onde isso veio". Saímos dali juntos, e o papel que ficou duas horas perdido no chão acabou chegando no último segundo possível. Você prefere que a história termine com eles indo embora juntos em segurança ou com o protagonista confrontando quem escreveu o bilhete?